“O salário desse bandido continua sendo pago pelo RN”, critica a mãe do lutador Luiz de França
Luiz de França foi assassinado quando saía da academia onde trabalhava
Um dos crimes mais chocantes que ocorreram no Rio Grande do Norte em 2014 está completando um ano. No dia 10 de fevereiro do ano passado, o professor e lutador de MMA, Luiz de França, de 25 anos, foi morto a tiros quando estava saindo da academia onde dava aula, no bairro de Cidade Satélite. Mesmo com o inquérito finalizado e com a investigação apontando o tenente da PM Iranildo Fêlix como executor, o processo atualmente se encontra parado desde outubro de 2014.
O motivo é que a defesa de Iranildo, que iria começar a ser julgado naquele mês, alegou insanidade mental. Com isso, o juiz Ricardo Procópio Bandeira, da 3ª Vara Criminal de Natal, pediu a suspensão do processo até que um laudo de um perito atestasse ou não os problemas psiquiátricos do réu. Inicialmente, o prazo para que o laudo fosse emitido era de 45 dias, mas até esta terça, quatro meses depois, a situação não mudou. Iranildo continua detido no Quartel Geral da PM, enquanto o soldado da PM, Moisés Gonçalo, que teria participado do homicídio, está internado em uma instituição mental em Natal.
“A justiça está fazendo o trabalho dela. Por mais que seja duro, que seja complicado acompanhar essas manobras da defesa, a justiça está agindo da maneira legal. O problema é que o Estado não tem estrutura alguma, por isso que os processos demoram tanto. A justiça pediu peritos no Itep e até na Polícia Federal, mas não conseguiu. Agora vão levar o pedido para um perito em Mossoró, para ver se ele consegue fazer esse laudo”, relatou uma fonte do Jornal de Hoje, que, por medo, não quis se identificar.
Por meio da assessoria de imprensa, o Tribunal de Justiça informou que quando o pedido do laudo foi encaminhado para o Itep, o perito disse que estaria impedido de fazer o exame. Assim, no último dia 29 de janeiro, o juiz Ricardo Procópio despachou e encaminhou um ofício para o Itep de Mossoró, para que o órgão designasse um perito para fazer o laudo, só que até o final da manhã desta terça, o instituto não deu nenhuma resposta.
Por falar em medo, poucas pessoas entrevistadas pelo JH para comentar sobre o caso quiseram se identificar, com receio de possíveis ameaças que possam sofrer. “Nós sabemos que o Iranildo já ameaçou até delegado e ainda matou outras pessoas, imagine o que ele não pode fazer com a gente. Ele é um sujeito altamente perigoso”.
Emocionado com a data e com as lembranças de Luiz, um amigo de infância dele recordou da última mensagem que recebeu do ex-lutador. “Nós tínhamos um grupo em uma rede social. Dez minutos antes dele ser morto, ele nos enviou uma mensagem. Foi até uma mensagem diferente das que ele costumava mandar. Ele nos desejou uma boa semana e falou que cada um de nós, independente da escolha profissional que fez na vida, deveria se doar ao máximo, pois assim nós iríamos conquistar tudo o que nós desejávamos. Dez minutos depois um outro amigo me ligou me falando que o Luiz tinha sido assassinado. O Luiz foi morto por um motivo besta, por aquele que deveria estar cuidando da segurança da população”.
Segundo as investigações, a morte de Luiz de França foi motivada por uma discussão entre ele e o tenente, que foi expulso da academia onde Luiz dava aula. “Luiz dava aulas técnicas, voltadas para mulheres que queriam perder peso. Já Iranildo, queria ter aulas com mais violência e acabou desafiando o professor para uma luta. Eles se desentenderam, o dinheiro da mensalidade do tenente foi devolvido e ele acabou expulso por indisciplina”, afirmou o delegado Sílvio Fernando.
Silvio, inclusive, estava em uma lista encontrada na casa do Iranildo quando ele foi preso no início de abril de 2014. Ele seria o sexto da “fila” para ser assassinado pelo tenente. A delegada Danielle Filgueira, que também fez parte da investigação do homicídio, era outra que estava na mira da dupla, que tinha fotos dela nos celulares.
Ao ser questionada sobre o caso, Danielle foi direta e disse que Iranildo não tem nenhum problema psiquiátrico. “Ele (Iranildo) está tentando de tudo para escapar. Mas eu, que investiguei o caso, posso falar que ele não tem problema algum. Ele é um sujeito ruim mesmo. Ele matou o Luiz de França por um motivo fútil. Ele ainda envolveu outras pessoas no crime. O Iranildo é um psicopata e precisa ficar preso. Foi um caso que realmente me marcou. Tanto pela maneira como o Iranildo agiu e também pelas ameaças que recebi”. A delegada informou que, além de Iranildo e Moisés, o irmão do tenente, Ivanilson, também teria ajudado no homicídio de Luiz de França. Ele teria ficado do lado de fora da academia, como olheiro. “Quando o Luiz saiu, ele avisou para o irmão. O irmão do tenente também foi indiciado e a denúncia remetida à justiça em altos complementares”.
Mãe cobra justiça
Se para os amigos mais próximos a dor já é grande, para a mãe de Luiz de França, Alta Maria Pedroza de Souza, a situação é ainda pior. “Foi o pior ano da minha vida. Eu queria não ter nascido para viver uma situação dessas. Minha vida foi destruída por um assassino, que agora fica alegando insanidade. Mas para bolar a morte do meu filho ele não teve insanidade nenhuma”. Além de ter que superar a dor da morte do filho, Alta ainda precisou se manter firme para suportar as tentativas de Iranildo Fêlix em escapar da justiça. “Nós sofremos todos os dias, enquanto o Iranildo fica preso no Quartel da PM, cheio de regalias. Nós queremos ele preso e que ele seja expulso da PM. O salário desse bandido continua sendo pago pela população, inclusive minha família. Eu ajudo a pagar o salário do assassino do meu filho”.
Por fim, Alta pediu até ajuda do governador Robinson Faria. “Eu não consigo entender esse demora do caso. Peço encarecidamente que o governador Robinson Faria nos ajude. Ele é um pai de família. Somente os pais que já perderam os filhos sabem a dor que eu estou passando. É muito complicado”. JORNAL DE HOJE
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