A
Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), reunida em sua 50ª Assembléia
Geral, em Aparecida-SP, de 18 a 26 de abril de 2012, saúda a população
brasileira, em sintonia com os importantes acontecimentos que marcam o país
neste ano, especialmente as eleições municipais no próximo mês de outubro.
Expressão de participação democrática, as eleições motivam-nos a dizer uma
palavra que ilumine e ajude nossas comunidades eclesiais e todos os eleitores,
chamados a exercerem um de seus mais expressivos deveres de cidadão, que é o
voto livre e consciente.
Inspira-nos
a palavra do papa Bento XVI ao afirmar que a sociedade justa, sonhada por
todos, "deve ser realizada pela política" e que a Igreja "não
pode nem deve ficar à margem na luta pela justiça" (Deus Caritas Est 28).
Para o cristão, participar do processo político-eleitoral, impulsionado pela
fé, é tornar presente a ação do Espírito, que aponta o caminho a partir dos
sinais dos tempos e inspira os que se comprometem com a construção da justiça e
da paz.
As
eleições municipais têm uma característica própria em relação às demais por
colocar em disputa os projetos que discutem sobre os problemas mais próximos do
povo: educação, saúde, segurança, trabalho, transporte, moradia, ecologia,
lazer. Trata-se de um processo eleitoral com maior participação da população
porque os candidatos são mais visíveis no cotidiano da vida dos eleitores. A
sua importância é proporcional ao poder que a Constituição de 1988 assegura aos
municípios na execução das políticas públicas.
Nos
municípios, manifestam-se também as crises que o mundo atravessa, incluindo a
própria democracia. Isso torna ainda mais importante a missão de votar bem,
ficando claro para o eleitor que seu voto, embora seja gesto pessoal e
intransferível, tem conseqüências para a vida do povo e para o futuro do País.
As eleições são, portanto, momento propício para que se invista, coletivamente,
na construção da cidadania, solidificando a cultura da participação e os
valores que definem o perfil ideal dos candidatos. Estes devem ter seu
histórico de coerência de vida e discurso político referendados pela
honestidade, competência, transparência e vontade de servir ao bem comum. Os
valores éticos devem ser o farol a orientar os eleitos, em contínuo diálogo
entre o poder local e suas comunidades.
Ajudam-nos
nesta tarefa instrumentos como as Leis de iniciativa popular 9.840/1999, contra
a corrupção eleitoral e a compra de votos, e 135/2010, conhecida como Lei da
Ficha Limpa, cuja constitucionalidade foi confirmada pelo Supremo Tribunal
Federal. Aos eleitores cabe ficarem de olhos abertos para a ficha dos
candidatos e espera-se da sociedade a mobilização, como já ocorre em vários
lugares, explicitando a necessidade de a "Ficha Limpa" ser aplicada
também aos cargos comissionados para maior consolidação da democracia. Desta
forma, dá-se importante passo para colocar fim à corrupção, que ainda
envergonha o nosso país.
O
exercício da cidadania, no entanto, não se esgota no voto. É dever,
especialmente de quem vota a corresponsabilidade na gestação de uma nova
civilização, fundamentada na defesa incondicional da vida, desde a fecundação
até a morte natural; na promoção do desenvolvimento sustentável, possibilitando
a justiça social e a preservação do planeta.
A
educação para a cidadania é processo permanente. Para ela contribuem as Escolas
e Grupos de Fé e Política que se multiplicam pelas dioceses do Brasil, além das
variadas publicações de conscientização política. Entre estas, recordamos o
Documento 91 da CNBB – Por uma Reforma do Estado com Participação Democrática e
a Cartilha Eleições Municipais 2012: Cidadania para a Democracia, elaborada por
organismos da CNBB. Exortamos nossas comunidades e lideranças a lançarem mão
destes valiosos instrumentos, a fim de que participem conscientemente das
eleições e assegurem a unidade em meio às diferenças próprias do sistema
democrático. Merecem nosso apoio e incentivo, ainda, campanhas como a que
estimula os jovens a exercerem responsavelmente seu direito de votar já a
partir dos 16 anos.
Para
o cristão, participar da vida política do município e do país é viver o
mandamento da caridade como real serviço aos irmãos, conforme disse o Papa
Paulo VI: "A política é uma maneira exigente de viver o compromisso
cristão ao serviço dos outros" (Octogesima Adveniens, 46). Só assim, seremos
"fermento que leveda toda a massa" (Gl 5,9).
Que
Nossa Senhora Aparecida abençoe o povo brasileiro e ilumine candidatos e
eleitores no exigente caminho da verdadeira política.
Aparecida-SP,
21 de abril de 2012.
Raymundo Cardeal Damasceno Assis
Arcebispo de Aparecida
Presidente da CNBB
Raymundo Cardeal Damasceno Assis
Arcebispo de Aparecida
Presidente da CNBB
Dom
José Belizário da Silva
Arcebispo de São Luís do Maranhão – MA
Vice-presidente da CNBB
Arcebispo de São Luís do Maranhão – MA
Vice-presidente da CNBB
Leonardo
Ulrich Steiner
Bispo Auxiliar de Brasília – DF
Secretário Geral da CNBB
Bispo Auxiliar de Brasília – DF
Secretário Geral da CNBB
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