É difícil entender o Brasil. Nem o de ontem, nem o
de hoje. O de ontem que falamos é o da “revolução” dos militares; o de hoje é o
da “corrupção”. Os trabalhadores ¬- pois aqui também não houve nenhuma
revolução - se aninharam nos sindicatos e associações de classe. Transformaram
o que eu pensava que viesse a encaminhar-se para uma democracia racial, moral,
social, eticamente cheia de progresso harmonioso. Hoje o país é uma corporação
da corrupção. A liberdade individual não conta. Se você não faz parte de uma
associação, de um sindicato, de um grupo, de um partido – e olha que partidos!
– todos são iguaizinhos na busca dum meio de abocanhar um pedaço maior do que o
contribuinte entrega ao governo, no menor tempo possível, e se puder durante
todo tempo, como funcionário ou político, muitas vezes de conluio com a
sociedade privada. As obras, que se danem! Cadê estradas, linhas de
ferro, pontes, trens-bala, metrôs, navegação fluvial, marítima, portos e
aeroportos? Já a droga anda solta, quem quiser pode negociar com ela que
não lhe acontecerá nada, usá-la, traficá-la, exportá-la. Quem quiser que morra,
quem não tiver sorte, se arrisque a ser morto num abrir e fechar de olhos, por
quadrilhas de marmanjos, com menores à frente. A polícia e a justiça dizem logo:
“São leis fracas que não nos deixam agir”. E muitas vezes têm razão. Mas quem
faz a lei, quem aplica a lei? Quem reforma a lei para fazê-la mais forte e mais
efetiva? Não se diz nem “psiu” a um menor, mesmo que ele tenha extorquido,
roubado, seqüestrado, assassinado a muitos, senão o agredido é quem sofre, vai
ser perseguido pelos malandros e pela polícia e justiça.
Falar em saúde? Todos nós
temos conhecimento do estado dos hospitais, da confusão dos planos de saúde,
dos rombos da previdência, de forma que não há o que fazer para melhorar –
dizem os governantes. A educação é uma lástima, são tantos os “analfabetizados”
pela internete, são tantos os que nunca entram numa escola e vivem na rua ou
nos orfanatos. São tantos! Há bem pouco tempo, um político de alto gabarito,
cujo não me lembro, disse que só há um meio de socializar a riqueza de um país:
educando seu povo. Mas eita povinho mal-educado da peste! Vejamos o estado do
lixo em que se encontra o país. Lixo em tudo. Quem disser que sabe o que
é o Brasil está mentindo, o que foi o Brasil - está mentindo; o que será o
Brasil, é mentiroso. Livro e livros já foram escritos, todos os dias aparecem
as mais estúpidas pesquisas econômico-político-sociais e nada melhora. Quem
melhor entende os brasileiros são os papagaios que vivem em cativeiro nas casas
dos abastados (da área privada e da área política). Ouçam bem, a única palavra
que apreenderam a falar foi: “Corruptos!” Corruptos!”E por
isto o IBAMA está mandando retirá-los desses recintos para soltá-los na mata,
bem distante”.
Cadê a reforma agrária tão esperada pelos
trabalhadores do campo. Nada. Só briga. Tiroteio. Invasão de terras de índios.
Índios invadindo terra de branco. Muita malandragem pelo meio, mas os que
deviam melhorar o padrão moral têm-se mostrado tão corrompidos quanto o lixo e
a carne podre que por lá aparece, o poeta Manuel Bandeira,
num poema de 27 de dezembro de 1947, que está em sua Obra Poética completa,
em poucas linhas registra a desumanidade do homem e dos homens, naquele tempo:
“Vi ontem um bicho
Na imundície do pátio
Catando comida entre os detritos.
Quando achava alguma coisa,
Não examinava nem cheirava:
Engolia com voracidade.
O bicho não era um cão,
Não era um gato,
Não era um rato.
O BICHO, MEU DEUS, ERA UM HOMEM!.”
A situação não mudou, é como se fosse hoje, não adiantou bolsa família, bolsa escola, bolsa isto, bolsa aquilo. Ou se transforma o homem pela educação, ou tudo continuará piorando, como dantes...
Você conhece o Brasil? Pois é, o Brasil que eu quis retratar em meu livro-poema “A®)FOGO” é este país contraditório, onde vem revolução, vai revolução, e cada vez mais cheio de doenças, fome, analfabetismo, ignorância, vagabundagem, vícios, roubos, assassinatos, imoralidade, falta de vergonha. Ou o Brasil se educa (ao mesmo tempo em que aprende as coisas práticas) ou não sairá dessa arapuca.
Francisco Miguel de Moura*
Nenhum comentário:
Postar um comentário
Atenção: só serão respondidos os comentários que estiverem acrescidos dos EMAILS e de seus autores. A informação é importante para efetivar a correspondência eletrônica com MAJNOTICIAS.Os comentários são de responsabilidades de seus autores.