
O Supremo Tribunal Federal (STF) aplicou nesta quarta-feira, 28, penas de 9 anos e 4 meses de prisão em regime fechado para o deputado federal João Paulo Cunha (PT-SP) no processo do mensalão. Como a pena é superior a 8 anos, o início do cumprimento é o regime fechado. O julgamento será retomado na próxima quarta-feira, discutindo a questão da perda de mandato imediata dos condenados, além de possíveis ajustes nas penas fixadas de prisão e de multa.
João Paulo foi condenado por corrupção passiva, peculato e
lavagem de dinheiro. A pena mais alta foi para o crime de peculato, de 3 anos e
4 meses de prisão. Nos outros dois crimes, as penas foram de 3 anos de prisão
para cada um. As multas aplicadas chegam a R$ 360 mil.
A fixação da pena por lavagem de dinheiro provocou amplo
debate no tribunal e novos embates entre o relator, Joaquim Barbosa, e o
revisor, Ricardo Lewandowski. Houve ainda embate de Barbosa com Marco Aurélio
Mello. A polêmica aconteceu porque a condenação foi realizada por 6 votos a 5.
Um dos que condenou, o ministro Carlos Ayres Britto não deixou seu voto fixando
a pena e o advogado de João Paulo, Alberto Toron, afirmou que não haveria o
quórum de seis votos para deliberar sobre a pena a ser fixada.
Barbosa refutou a tentativa da defesa de imediato.
Lewandowski e Marco Aurélio, porém, entenderam que o plenário devia se
manifestar sobre o tema. O relator e presidente irritou-se e lembrou que a
questão já tinha sido levantada na semana passada pela defesa de outro réu e
derrotada. Marco Aurélio afirmou que o caso era diferente porque no anterior a
decisão pela condenação tinha sido tomada por 6 votos a 4.
O ministro Lewandowski afirmou que a questão tinha de ser
resolvida em plenário, por sua experiência na Corte. "Não é a experiência
de Vossa Excelência que comanda o plenário", rebateu Barbosa. Lewandowski
afirmou que a praxe é de não se tomar decisões monocraticamente pelo
presidente. O relator lembrou que no próprio julgamento do mensalão, o ministro
Ayres Britto tinha agido desta forma. Lewandowski afirmou que a referida
situação "causou espécie na comunidade jurídica". O decano do STF,
Celso de Mello, interrompeu dizendo que o presidente, pelo regimento, pode,
sim, responder monocraticamente, mas sugeriu que os outros fossem ouvidos.
Barbosa afirmou que insistiu para que Ayres Britto deixasse voto
sobre a questão da dosimetria, mas não foi atendido. Diante da insistência dos
ministros, ele concordou em submeter a questão aos ministros. "Já que o
tribunal insiste em deliberar sobre essa questão da situação esdrúxula da
condenação sem fixação de pena, eu submeto", disse o relator. Por fim, sua
posição prevaleceu, com o tribunal entendendo que a condenação estava decidida
e que os cinco ministros que votaram pela condenação poderiam fixar a pena.
Alguns ainda lembraram que a pena proposta por Barbosa foi de 3 anos, a mínima
para lavagem de dinheiro. Com isso, Britto não teria como ter proposta nada
mais benéfico ao réu.
Vencedor, o relator aproveitou para ironizar o ministro Marco
Aurélio Mello, um dos que mais defendeu a votação sobre a questão de ordem.
"Adoro a objetividade, detesto a perda de tempo". Fonte: Eduardo
Bresciani - Estadão.com.br/MSN